Jornal:Devolvam as nossas cestas!
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Devolvam as nossas cestas!
Era o que gritavam os jogadores de Quadribol em todo país, ontem à noite, quando se tornou evidente que o Departamento de Jogos e Esportes Mágicos decidira queimar as cestas usadas a séculos no Quadribol para a marcação de gols.
"Não vamos queimar as cestas, não exagerem", disse um represente do Departamento com ar irritadiço à noite passada quando lhe pediram que comentasse a notícia. "As cestas, como vocês devem Ter observado, são fabricadas em diferentes tamanhos. Constatamos que é impossível padronizar o tamanho das cestas de modo a igualar as balizas de gol em toda a Grã-Bretanha. Sem dúvida vocês são capazes de perceber que é uma questão de justiça. Quero dizer, há um time nas proximidades de Barnton que prende cestas minúsculas às balizas do time adversário, em que não se consegue acertar nem uma uva. Em contraposição, nas balizas deles há verdadeiras cavernas de vime balançando para lá e para cá. Não é direito. Definimos aros de tamanhos fixos e já está decidido. De forma certa e justa."
Nesse momento, o representante do Departamento foi obrigado a se retirar sob uma saraivada de cestas atiradas por manifestantes furiosos que se aglomeravam no saguão. Embora duendes agitadores tenham levado a culpa pelo tumulto que se seguiu, não resta dúvida que esta noite os fãs de Quadribol em toda a Grã-Bretanha estão chorando o fim do jogo que conhecíamos.
"Não vai ser a mesma coisa sem as cestas", dise com tristeza um velho bruxo de bochechas redondas e coradas. "Eu me lembro de que quando era rapaz, constumávamos atear fogo nas cestas durante as partidas só para nos divertir. Não se pode fazer isso com os aros. Acabaram com a metade da graça."
Profeta Diário, 12 de fevereiro de 1883

