RPG
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RPG (Role-playing game)
RPG é a abreviação do termo RolePlaying Game, que já foi traduzida de várias formas em nossa língua. Uma das mais populares é Jogo de Interpretação de Papéis. Apesar dessa tradução e de ser comum ouvir a expressão "Vamos jogar RPG!", o RPG não é exatamente um jogo. Ele é uma brincadeira de contar histórias.
Sobre as histórias...
É importante salientar que as atitudes e reações do personagem de cada ouvinte são escolhidas exclusivamente pelos ouvintes e que o resultado das ações dos personagens e suas conseqüências são definidas pelo narrador. A única exceção a esta regra são os personagens que fazem parte da história mas não são representados pelos ouvintes. Estes personagens ficam aos cuidados do próprio narrador.
Como toda atividade, o RPG tem também um jargão todo próprio e particular com o qual nós iremos aos poucos nos acostumando. No linguajar dos praticantes de RPG, por exemplo, os narradores são chamados de mestres, os ouvintes/participantes são chamados de jogadores e as histórias são chamadas de aventuras.
A história do exemplo passa-se em São Paulo no início da década de 70. No entanto, é possível contar histórias que se passam em qualquer lugar e em qualquer época.
E nada implica que este lugar ou esta época tenham que existir no mundo real. Poderiamos contar uma história ambientada na Terramédia do Senhor dos Anéis, na Enterprise de Jornada nas Estrelas ou num mundo qualquer que venha a ser inventado.
Normalmente, o local e a época em que a história está sendo contada são chamados de cenário. Existem diversos cenários prontos que você pode usar para ambientar suas histórias.
Da mesma maneira, as decisões que o narrador/mestre toma durante o desenrolar da história não são aleatória nem arbitrárias. Ele usa um método para tomar estas decisões que os jogadores de RPG em geral chamam de sistema de regras. Existem centenas de sistemas de regras para RPG.
A Diferença...
A principal diferença que existe entre o contar histórias tradicional e o RPG é que no primeiro caso o narrador conta uma história que ele já conhece e praticamente nunca altera, a não ser por mudanças de inflexão ou pequenas improvisações. Num RPG, por outro lado, cada um dos ouvintes representa um personagem que faz parte da história que está sendo contada pelo narrador e interfere em seu desenvolvimento, transformando-a em uma criação coletiva.
O processo narrativo do RPG pode ser descrito da seguinte maneira: O narrador expõe uma situação e diz aos ouvintes o que seus personagens vêem e ouvem. Em seguida, os ouvintes descrevem o que seus personagens fazem naquela situação e o narrador, então, diz qual o resultado das ações dos personagens dos ouvintes... e assim por diante. A história vai sendo criada pelo narrador e pelos ouvintes à medida que é contada e vivenciada como uma aventura.
Exemplo de Jogo
O narrador diz aos ouvintes "quando cruzam a rua São Bento, vocês ouvem um grito de socorro; um grito de mulher. O que vocês fazem?"
Um dos ouvintes diz: "Eu olho para ver o que está acontecendo!"
O narrador diz: "No meio do quarteirão da rua São Bento você vê um vulto de costas, um sujeito tão alto quanto você e muito forte, ele está curvado, batendo em alguém."
O ouvinte diz: "eu começo a correr na direção dele e grito para ele parar!"; o narrador diz: "quando você grita, ele gira o corpo lentamente. Com a mão esquerda ele segura uma mulher pela gola do casaco.
Ela parece estar desmaiada. Quando ele gira o corpo, você vê alguma coisa brilhar em sua mão direita, o que você faz?"
E a história segue assim...
Etiqueta no RPG
* Se você é iniciante, não queira bancar o penetra e entrar em um grupo de jogadores experientes (a menos, é claro, que tenha sido convidado). A partida só transcorre bem quando todos os jogadores conhecem as regras e essas regras não podem ser ensinadas a um novato em cinco minutos. Você pode atrapalhar tudo, ou sentir-se colocado de lado. Muito melhor é formar seu próprio grupo para que todos aprendam as regras juntos.
* Quando participar de uma partida como visitante em um grupo já formado, seja como jogador ou como Mestre, esteja preparado para manter a mente aberta. Não existe uma maneira certa ou errada de jogar RPG, e cada grupo tem sua própria maneira de jogar, sua própria visão das regras. Se você tentar impor seu próprio estilo aos outros, só vai conseguir aborrecê-los e não será mais convidado para jogar.
* Não roube a cena. É verdade que um único jogador pode ser responsável pelo sucesso de toda a aventura, mas não force a barra para ser esse jogador. Deixe os companheiros agirem também. Alguns jogadores são tão chatos que o Mestre joga seus personagens em calabouços, amarrados, amordaçados e inconscientes — e nem assim eles deixam os outros falarem!
* Não tente colocar o Mestre na parede. Nada mais chato que um “advogado de regras” que tenta invocar regulamentos obscuros para sair de uma situação difícil (“ei, a página 712 do manual diz que você não pode fazer isso!”). Prefira sair da enrascada com uma solução criativa, e o Mestre irá recompensá-lo por isso. Confie no Mestre. O papel dele é divertir os jogadores, e não jogar contra eles.
* Por outro lado, se você é Mestre, não seja injusto com os jogadores. Ouça suas queixas e reconheça estar errado quando for o caso. Seja benevolente, permita que um plano bem bolado funcione — mesmo que as chances disso acontecer sejam pequenas. Roube a favor deles em algumas jogadas de dados. Coloque na bolsa do orc morto aquele item mágico de que eles precisavam para curar a doença do companheiro. Apenas não deixe as coisas fáceis demais: sem desafio, a aventura fica chata.
* Nunca se esqueça, o RPG é apenas um jogo — e um jogo onde ninguém ganha ou perde. Não vale a pena discutir com um jogador porque o ladrão dele roubou sua bolsa de moedas; eram moedas de mentirinha. Não brigue com o Mestre porque recebeu uma espada amaldiçoada; a maldição é imaginária. Não saia da mesa pisando duro quando seu personagem morrer; ele não era real, e você pode fazer outro. Seja maduro, cara!

