Tradição Stregheria
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autor desconhecido
Introdução
Stregheria ( A Velha Religião) é a bruxaria italiana. A tradição se iniciou no século XIV, com os ensinamentos de Aradia, a Feticeira Sagrada. O Sistema Strega data das civilizações pré itálicas como os Etruscos. Há muitas coisas similares entre a Strega e Wicca. A natureza é considerada como a “Grande Mãe”. Há uma antiga história baseada nos ensinamentos de Aradia, onde ela profetiza a chegada da “Idade da Filha” quando a razão irá predominar. A idéia de vida após a morte para um stregan é que ele irá retornar para os domínios de Luna assim como há Lua Cheia e voltarão à terra, assim como a lua mingua. Quando prontos, passam pelo Sol para ganharem novos corpos para seu retorno às estrelas. Há os Grigori, aqueles que vigiam , os Guardiães, e os Grimas que mantêm as tradições puras e garantem que elas sejam passadas adiante. Os Lares são os espíritos ancestrais, que podem ser chamados quando se precisa de ajuda.
Em 1890 o folclorista Charles Leland publicou um livro intitulado: “ Aradia, The Gospel of the Witches” (Aradia, o Evangelho das Feiticeiras). Em 1886, Leland se tornou íntimo de uma mulher italiana chamada Madalena, que se auto intitulava bruxa. Durante 10 anos ela deu às informações que fariam parte do Aradia. O livro tem algumas distorções quanto à visão do paganismo, mas ainda se pode encontrar informações valiosas sobre stregheria. O livro é uma interessante visão da bruxaria italiana pra-gardneriana. Leland foi o primeiro a descrever o sabá das bruxas, contando que elas ficavam nuas, celebravam e faziam amor durante a Lua Cheia. Essa visão, que é consagrada em Gardner, tinha sido compilada quase um século antes de Gardner.
Mas Leland não é a única fonte de informação sobre bruxaria italiana; no volume 3 de "Folk-Lore; Transactions of the Folk Lore Society, publicado em 1897, o autor, J.B. Andrews dá importantes informações sobre a bruxaria italiana, como por exemplo, quando ele relata sobre a "religião oculta" dos napolitanos. O poeta Horácio, por volta do século 30 a.C. também faz relatos sobre as bruxas italianas. Outros documentos antigos fazem claras alusões ao culto secreto a Prosérpina e Diana.
As bruxas italianas procuraram também a Maçonaria, para protegerem seu antigo culto. Influências maçônicas são facilmente reconhecidas quando se examina as práticas modernas. Por exemplo, o grupo conhecido como Carbonari (1820) tinha três degraus de iniciação demarcados pelos cinturões coloridos que os seus membros usavam: azul, vermelha e preta. Um triângulo marca o primeiro nível.
A Strega é dividida tradicionalmente em três tríades: Janarra, Tanarra e Fanara. Quando Aradia trouxe a Velha Religião pela primeira vez à Itália, ela ensinou seus seguidores os segredos da Terra, da Lua e das Estrelas. As Fanara são as guardiãs dos Antigos Mistérios e estão na parte nordeste da Itália. Elas guardam os segredos das Linhas Lei e das forças da Terra. As Janarra e Tanarra ocupam a Itália Central. As Janarra guardam os segredos da Lua e das energias
lunares. Tanarra são os guardiões dos mistérios estelares. Eles possuem os mistérios das forças estelares.
O Calendário Strega
Festa da Sombra – La Festa Dell’ Ombra – 31 de Outubro – Nesse dia é comemorado o dia em que a Grande Senhora desce ao Mundo Inferior procurando pelos Mistérios da Morte. Ela encontra Dis, o Mestre do Mundo Subterrâneo. Ela está zangada com ele, pois ele levou embora as coisas que ela amava. Ele diz a ela que não é ele quem faz isso, mas sim o tempo e o destino é quem rouba as coisas mais importantes para ela. Ele simplesmente tenta dar um tempo para que as coisas renasçam novamente. Eles então se unem numa Sagrada União e dividem os seus mistérios.
Solstício de Inverno – La Festa dell’ Inverno – 21/22 de Dezembro – A Deusa dá à luz a num novo Deus Sol, a criança da Sagrada União na Festa da Sombra. Os Grigori vão ver a nova criança, mas se surpreender ao ver que Janus apresenta sua nova criança. Aqui percebe-se que Dis e Janus são as faces do Grande Deus. Os Grigori então levam ao mundo o novo Senhor do Sol, Lupercus que novamente começa seu crescimento.
Festa de Lupercus – Lupercus – 02 de Fevereiro – O festival de Lupercus marca a puberdade do Deus. Os Grigori elaboram 20 trabalhos para Lupercus provar que é realmente o novo Deus Sol. Lupercus completa todas as tarefas. Lupercus é invocado nesta data do ano para espantar os lobos da noite escura de inverno.
Equinócio da Primavera – Equinozio della Primavera – 21/22 de Março - Celebra o início da ascensão da Deusa dos Domínios Subterrâneos. Assim como ela retorna, a Terra acorda e seus filhos celebram alegres. Esse é um tempo de grande fertilidade. É também o tempo em que o Deus Lupercus é ferido durante a caça, contudo, levanta-se no dia seguinte como o novo Deus Sol, assumindo a forma do deus Janus. Seu irmão, Cern, toma conta da Lua Cheia e se torna o Deus
Cornudo do Verão.
Dia de Tana – La Giornata di Tana – 1º de Maio – celebração do Retorno da Deusa do Mundo das Sombras. A Deusa se torna a força dominante, os meses da Deusa se iniciam.
Solstício de Verão - La Festa dell’ Estate- 21/22 de Junho – O solstício de verão marca o casamento entre a Deusa e o Deus. Esta é uma época de crescimento e de trabalho na terra. Esta é a época onde os Elementais estão presentes em grande número. Os “fata” são celebrados, os elementais, espíritos da natureza.
Cornucópia – La Festa di Cornucópia – Véspera de Agosto – Esta é a época de antecipação da fartura. Esta é a época da Primeira Colheita. É preparado um sacrifício para o Deus para que a Roda da Vida continue. Assim que começa a colheita, são plantadas as sementes do renascimento. Essas sementes se tornarão as fortes plantas da primavera.
Equinócio de Outono – Equinozio di Autunno – 21/22 de Setembro – Tempo de toda a colheita. Um aparte é dada para o Deus como sacrifício. Janus vai agora para o Submundo. O Senhor da Luz agora se torna o Senhor das Sombras. Ele se torna oculto, e após essa Treguenda, também nos tornamos obscuros em nossos ritos até o Deus começar novamente sua ascendência na Primavera. O Deus Cern é morto em outro acidente na caça, e Lupercus toma de novo o Ano Minguante.
Como seu amante perdido, a Deusa vai para o Mundo das Sombras, procurando por ele. É celebrada a chegada do inverno.
Os Instrumentos da Strega
Além dos tradicionais instrumentos da feitiçaria, a Strega usa também alguns outros, próprios de sua antiga tradição:
A "Concha" da Lua - O mais antigo instrumento da Strega é a concha da Lua, um instrumento largo, em forma de concha que é usado para invocação. Colocado sobre altares pedra e cheio de água do mar, algumas vezes uma outra pequena concha é colocada dentro da primeira garantindo sempre que o trabalho seja feito mesmo quando a Lua não está visível. A Concha da Lua simboliza o Útero da Deusa e a concha menor, a "filha da promessa". Uma série de pequenas conchas menores são colocadas em volta formando um crescente.
A Tesoura - A Tesoura serve para quebrar um encantamento e serve tanto magicamente como astralmente. Um feitiço com um par de tesouras pode ser usado para proteção, podendo ser pendurado também numa janela ou atrás de uma porta.
'A "Chama Azul" - O ponto principal do altar é onde fica a Chama Azul. Acendida num recipiente com um líquido especial para produzir uma chama azul, o fogo representa a presença da Divindade no ritual.
O Santuário dos Lares - Os Lares são os antigos espíritos romanos que guardam a casa. Nessa parte da casa, oferendas são colocadas para que os velhos espíritos comunguem com a Strega. Mel, leite e vinho são ofertados.
A Cimaruta - A Cimaruta é um antigo talismã da Stregheria, usado pelos seguidores de Diana. Se assemelha com os galhos de uma árvore e significa abundância (o peixe), as forças ocultas ( a lua com a serpente), o conhecimento oculto (a chave) e proteção (a flor).

